“Nasci neguinho,
cresci neguinho. Hoje não sou mais.”
Rodrigo Ednílson
O
solo “Memórias Póstumas de um Neguinho” conta, a partir de histórias pessoais e
memórias coletivas, a trajetória de um homem negro em seu processo de auto
aceitação. O espetáculo/performance/sarau é dividido em dois movimentos
distintos, que acontecem em sequência que se entrelaçam.
No movimento 1 teremos a intervenção “Pode tocar”
que será realizada nos arredores do teatro ou local de apresentação. Essa
intervenção consiste na relação silenciosa entre performer e público
espontâneo, essa relação se dará a partir da leitura de uma placa que será
levada pelo performer com o seguinte escrito: Você pode tocar o meu cabelo. A
iniciativa se dá devido aos diversos assédios relacionados ao cabelo sofridos
pelo performer e pela comunidade negra. A performance busca aproximar a
comunidade em geral de um aspecto da negritude que vem sendo recalcado através
da história. Possibilitando a interação com o público que em muitas das vezes
discrimina por desconhecer a textura e as possibilidades de uso do cabelo
crespo que sofre com os estigmas de cabelo ruim, e cabelo duro. O objetivo da
performance é mostrar ao público o racismo que vai além da relação com a pele,
e como sistema atinge até os fios de cabelo, alisando, cortando ou os
escondendo. Duração 30 minutos.
foto: Letícia Souza
O movimento 2, “Histórias da minha Aldeia”, será
realizado no local da apresentação, logo após o movimento 1. O ator-narrador
apresentará histórias reais utilizando recursos de vídeo, nessa montagem o
teatro épico e o teatro documentário amparam os questionamentos do ator em relação aos estigmas que
giram ao entorno do cabelo do crespo. Duração 50 minutos.
